O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 30
DAS MANIFESTAÇÕESESPIRITAS
CAPITULO V
MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS
Estudo 30 - Itens 87 a 91 - Lançamento de Objetos
Nocapítulo que estamos estudando, Allan Kardec explica que tais fenômenos, cujamanifestação se poderia considerar como de prática espírita natural, são muitoimportantes, porque excluem as suspeitas de conivência. Afirma ainda, que asmanifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa econvencer-nos da presença de um poder superior ao do homem. Também disse que osEspíritos elevados não se ocupam com esta ordem de manifestações; que se servemdos Espíritos mais imperfeitos para produzi-las. Atingida a finalidade acimaindicada, cessa a manifestação. A seguir estudaremos o lançamento de objetos.
Lançamento de objetos
Asmanifestações espontâneas nem sempre se limitam a ruídos e batidas. Degeneram,às vezes, em verdadeira barulheira e em perturbações. Móveis e objetos diversossão revirados, projéteis são atirados de fora para dentro, portas e janelas sãoabertas e fechadas por mãos invisíveis, vidraças são quebradas, o que não sepode levar à conta da ilusão.
Todaessa desordem é muitas vezes real, mas algumas vezes é apenas aparente. Ouve-segritarias num cômodo ao lado, barulho de louça que cai e se quebra. Corre-separa ver e encontra-se tudo calmo e em ordem. Mal sai do local, recomeça otumulto.
Essasmanifestações não são raras nem novas. É comum se ouvir histórias destanatureza. O medo tem exagerado muitos fatos que, passando de boca em boca,assumiram proporções gigantescamente ridículas. Com o auxílio da superstição,as casas onde eles ocorrem foram tidas como assombradas pelo diabo e daí todosos maravilhosos ou terríveis contos de fantasmas. Compreende-se ainda aimpressão que fatos desta espécie, mesmo reduzidos à realidade, podem produzirem pessoas de caracteres fracos e predispostas, pela educação, a alimentaridéias supersticiosas. O meio mais seguro de prevenir os inconvenientes quepossam acarretar, pois não se pode impedi-los, consiste em tornar conhecida averdade. As coisas mais simples se tornam assustadoras quando ignoramos ascausas. Ninguém mais terá medo dos Espíritos, quando todos estiveremfamiliarizados com eles.
Na Revista Espírita se encontram narrados muitos fatos autênticos destegênero, entre outros a história do Espírito batedor de Bergzabern, cuja açãodurou oito anos (números de maio, junho e julho de 1858); o de Dibbelsdorf(agosto de 1858); o do Padeiro das Grandes Vendas, perto de Dieppe (março de1860); o da Rua Des Noyers, em Paris (agosto de 1860); o do Espírito deCastelnaudary, sob o título de História de um Danado (fevereiro de 1860); o dofabricante de São Petersburgo (abril de 1860) e muitas outras.
Essasmanifestações frequentemente assumem o caráter de verdadeira perseguição.Muitas pessoas têm suas roupas esparramadas e às vezes rasgadas, apesar da precauçãoque tomam , guardando-as à chave; outras vezes, pessoas estão deitadas, masperfeitamente acordadas, e vêem sacudir as cortinas, arrancarem-lhesviolentamente as cobertas e os travesseiros, que são erguidos no ar e até mesmoatiradas fora do leito. Esses fatos são mais freqüentes do que se pensa, mas amaioria das vítimas não os contam por medo do ridículo. Muitos que vivem essasexperiências,consideradas alucinações, são submetidos ao tratamento dosalienados,o que pode leva-las realmente à loucura. Os casos de obsessão, depossessão e de simples perturbação por Espíritos, quando tratados como loucura,geralmente se agravam, porém, quando recebem tratamento espírita, são passíveisde cura.
Épossível também que alguns casos sejam obra da malícia ou da malvadez. Porém,se tudo bem averiguado, ficar provado que não resultam da ação do homem, temosde convir que são, para uns, obra do diabo, e para nós, dos Espíritos. Mas deque Espíritos?
OsEspíritos superiores, como os homens sérios entre nós, não gostam de fazertravessura. Quando interpelados sobre o motivo de perturbarem assim atranqüilidade dos outros, a maioria quer apenas se divertir. São antes levianosdo que maus. Riem dos sustos que causam e do trabalho que dão para se descobrira causa do tumulto. Muitas vezes apegam-se a uma pessoa e se divertem aincomodá-la por toda parte. De outras vezes se apegam a um lugar por simplescapricho. Algumas vezes, também, se trata de uma vingança. Em alguns casos, aintenção é mais louvável: procuram chamar a atenção e estabelecer comunicação,seja para transmitir um aviso útil, seja para fazer um pedido. Muitos pedempreces; outros que solicitam o cumprimento, em nome deles, de votos que nãopuderam realizar, e outros quererem, para o seu próprio sossego, reparar umamaldade praticada em vida. Em geral, pode ser um erro amedrontar-se com suapresença, que pode ser importuna, mas não perigosa.
Énatural querer livrar-se deles, mas é necessário faze-lo da maneira maiseficaz, que é não se intimidar perante suas ações, até que desistam. Casoestejam agindo por motivo menos frívolo, será necessário identificar suasnecessidades, e aqui novamente recomendamos o auxílio de uma casa espírita bemestrutura , onde poderão ser atendidos e esclarecidos em suas necessidades.Através das preces podemos ajuda-los sempre, porém, as solenidades das fórmulasde exorcismo não os intimida, e sim os divertem. Se for possível entrar emcomunicação com eles, recomenda-se prudência e bom senso para avaliar aessência de suas mensagens, pois muitas vezes querem se divertir com acredulidade dos ouvintes.
Noscapítulos IX e XXIII, referentes aos lugares assombrados e às obsessões, AllanKardec trata com pormenores este assunto e as causas da ineficácia das precesem muitos casos.
Emboraproduzidos por Espíritos bastante imperfeitos, esses fenômenos sãofreqüentemente provocados por Espíritos de ordem mais elevada, com o objetivode demonstrar a existência dos seres incorpóreos, dotados de poderes superioresaos dos encarnados. A repercussão que alcançam e o medo que provocam, despertama atenção para esse assunto e acabam por abrir os olhos dos mais incrédulos.
Odesconhecimento do assunto e a negação sistemática da existência dos espíritos,são responsáveis por gerar superstições, criar neuroses e perturbações mentais,agravando o preconceito cultural contra a realidade do Espírito. A divulgaçãoda Doutrina Espírita, através da prática que decorre dos estudos vivenciados, éa única maneira possível de evitar todos esses inconvenientes, familiarizandoos homens com esse aspecto inegável das leis divinas: o mundo espiritual existee os Espíritos estão entre nós.
Nopróximo estudo trataremos das causas desses fenômenos.
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo:FEESP, 1989 - Cap. V - 2ª Parte
Tereza CristinaD'Alessandro
Janeiro / 2004
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13/07/2009 @ 00:27:30
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