ESTUDO7b: FENÔMENOS ANÍMICOS e MEDIÚNICOS - CAUSAS
Causa dos fenômenos anímicos emediúnicos
(Ver estudo 7a)
Em OLivro dos Espíritos Allan Kardec perguntou aos Espíritos :
135. Há no homem outra coisa, além da alma e do corpo?
- Há o liame que une a alma e o corpo.
135. A) Qual é a natureza desse liame?
- Semimaterial; quer dizer, um meio-termo entre anatureza do Espírito e a do corpo. E isso e necessário, para que eles possamcomunicar-se. É por meio desse liame que o Espírito age sobre a matéria, evice-versa.
Ohomem é, assim, formado de três partes essenciais:
lª) Ocorpo, ou ser material, semelhante aos dos animais e animado pelo mesmoprincipio vital:
2ª) Aalma, Espírito encarnado, do qual o corpo é a habitação.
3ª) Operispírito, princípio intermediário, substância semimaterial, que serve de
primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. Tais são, num fruto, asemente, a polpa e a casca.
EmA Gênese, capítulo XIV, Kardec afirma:
Item 22. " - O perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e avida espiritual. E por seu intermédio que o Espírito encarnado se acha emrelação contínua com os desencarnados; é, em suma, por seu intermédio, que seoperam no homem fenômenos especiais, cuja causa fundamental não se encontrana matéria tangível e por essa razão. parecem sobrenaturais.
É nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico que se tem deprocurar a causa da dupla vista, ou vista espiritual, a que também se podechamar vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, freqüentemente a seumau grado, assim como da vista sonambúlica.
O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebecoisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. Pelos órgãos do corpo, avisão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas àpercepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas segeneralizam, o Espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que seencontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico.
No homem, tais fenômenos constituem a manifestação da vida espiritual; é a almaa atuar fora do organismo. Na dupla vista ou percepção pelo sentido psíquico,ele não vê com os olhos do corpo, embora, muitas vezes, por hábito, dirija oolhar para o ponto que lhe chama a atenção. Vê com os olhos da alma e a prova estáem que vê perfeitamente bem com os olhos fechados e vê o que está muito além doalcance do raio visual."
Item 23."- Embora, durante a vida, o Espirito se encontre preso ao corpo peloperispírito, não se lhe acha tão escravizado, que não possa alongar a cadeiaque o prende e transportar-se a um ponto distante, quer sobre a Terra, quer doespaço. Repugna ao Espírito estar ligado ao corpo, porque a sua vida normal é ade liberdade e a vida corporal é a do servo preso à gleba.
Ele, por conseguinte, se sente feliz em deixar o corpo, como o pássaro em seencontrar fora da gaiola, pelo que aproveita todas as ocasiões que se lheoferecem para dela se escapar, de todos os instantes em que a sua presença nãoé necessária à vida de relação. Tem-se então o fenômeno a que se dá o nome de emancipaçãoda alma, fenômeno que se produz sempre duranteo sono. De todas as vezes que o corpo repousa, que os sentidos ficam inativos,o Espírito se desprende. (O Livro dos Espíritos, Parte 2, cap. VIII.)
Nessesmomentos ele vive da vida espiritual, enquanto que o corpo vive apenas da vidavegetativa; acha-se, em parte, no estado em que se achará após a morte:percorre o espaço, confabula com os amigos e outros Espíritos, livres ouencarnados também."
Do exposto acima, podemos compreender que a causa dos fenômenos anímicos emediúnicos encontra-se nas propriedades do perispírito, ou seja, este corpo fluídico devido a suatextura, organização, flexibilidade e expansibilidade, fornece inúmerascondições de ação ao Espírito, mesmo quando encarnado, condições estas que viabilizam os fenômenosanímicos e mediúnicos. Para que essas propriedades se tornem evidentes,necessário atendam à lei dos fluidos, ou seja, fluidos se atraem devido a semelhançade sua natureza; os dessemelhantes se repelem.
Importante reafirmar que esses fenômenos se viabilizam devido as qualidadesespeciais do Perispírito mas, o propulsor de toda e qualquer ação é sempre oEspírito, que, se encarnado, pode, através do pensamento e vontade desdobrar-se e atuar forado corpo físico. Podemos considerar as propriedades de:
- assimilação de fluidos
- transformação
- expansibilidade
- condensabilidade
- transmissão
- penetrabilidade
- sensibilidade à ação magnética (reparação) que, entre outras não relacionadas acima, permitem ao Espírito transmitir e captar pensamentos, expandir-se, irradiar-se, desdobrar-se e fazer visitas etc. Essas propriedades não atuam de forma isolada e constituem o potencial do Espírito.
Limitesdas faculdades anímicas. A Lei de Afinidade
Conforme as pesquisas de Ernesto Bozzano (Animismo ou Espiritismo?, Cap.II), para entender como se estabelecem os limites das faculdades anímicas, énecessário recordar a "lei de afinidade", que existe tanto no universo físico,manifestando-se pelas forças de "atração" e "repulsão",das quais derivam a organização dossóis e dos mundos e todas as combinações químicasformadoras da matéria, ao passo que no universo psíquico, se expressa sob aforma da "relação psíquica "a circunscrever em limites relativamente estreitos os poderes investigadoresdessas faculdades.
Como se aplica, então tal "lei de relação " ? Para que as pessoasdistantes umas das outras estabeleçam contacto e registrem vibrações psíquicas,ocorrendo, então o fenômeno anímico, é necessário que haja vinculações, ouafetivas, ou de outro tipo.
De acordocom tal "relação psíquica", então, o médium ou o sensitivo, só chegaa colher informações das subconsciências das pessoas distantes sob as seguintescondições experimentais:
- quando conhecem a pessoa ausente, ou se tal não se dá,
- quando o experimentador a conheça, e, ainda, em falta desta circunstância,
- quando seja entregue ao sensitivo ou ao médium um objeto que a pessoa buscada tenha usado por muito tempo (psicometria).
Resta, então uma questão: como explicar os casos de identificação pessoal dedefuntos desconhecidos de todos os presentes, quando se dão sem o concurso deobjetos psicometrizáveis? Somos levados racionalmente a admitir a presença,"na outra extremidade do fio", do defunto que se comunica. Torna-se,então, evidente, que a "lei de relação psíquica" serve paracircunscrever, em limites bem definidos, as faculdades supranormaisinvestigadoras da subconsciência humana.
O Animismo comprova o Espiritismo
O fato da alma humana em desdobramento, ativando suas faculdades, poderprovocar toda uma série de fenômenos chamados anímicos, é de suma importânciado ponto de vista científico. Isto comprova a existência no ser humano de umelemento - a ALMA - que é capaz de atuar forado corpo físico e gerar fenômenos de natureza idêntica aosprovocados pelos desencarnados (Espíritos), e, que obedecem às mesmas leis.
Tais demonstrações, por conseguinte, destroem as hipóteses contrárias à comunicabilidadedos Espíritos com os vivos, uma vez que os fenômenos anímicos, que são tambémmediúnicos, ratificam e afirmam os fenômenos espíritas. "(...) É racionalsupor-se que o que um Espírito "desencarnado" pode realizar, tambémdeve podê-lo - embora menos bem - um Espírito "encarnado" sob acondição, porém, de que se ache em fase transitória de diminuição vital (estadode crise, estado alterado de consciência , item 223 de OLivro Dos Médiuns), que corresponde a um processo incipiente dedesencarnação do Espírito (sono fisiológico, sono sonambúlico, sono mediúnico,êxtase, delíquio, narcose, coma).
Através desses raciocínios concluímos que ambos os fenômenos, anímico emediúnico, nos colocam diante da realidade indiscutível de que somos Imortaisporque dotados de corpo e estrutura espiritual sobreviventes a morte física.Além do que , instrumentalizados para vivências que se sobressaem às nossasexperiências mais comuns, porque trazemos como Espíritos, potencialidades quedesabrocham a medida que crescemos intelecto e moralmente, nos colocando rumo àFelicidade Maior, que é destino de todos os filhos de Deus.
Bibliografia
- Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns - Cap. XIX, q. 223, de 1 a 8, FEESP . 2ª ed. São Paulo, 1989
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Livro Segundo-cap II, EME -Edição Especial, Capivari/SP, 1997
- Kardec, Allan - A Gênese - Cap I e II- FEB - 2ª ed. Brasília/DF, 1984
- Miranda, Hermínio C. - Diversidade dos Carismas - Volume II, Cap I - Mediunidade 2- O médium, Publicações Lachâtre Editora Ltda - 3ª edição Niterói/RJ, 1998
- Aksakof, Alexandre - Animismo e Espiritismo Vol I, FEB - 5ª edição, Brasília, 1991
- Bozzano, Ernesto - Animismo e Espiritismo. Feb, 4ª edição, Brasília, 1987
- Neves, J.; Azevedo, G.; Calazans, N.; Ferraz, J. - "Vivência Mediúnica - Projeto Manoel P. de Miranda", Cap. 1 - Fenômenos, Cap 11- Do Anímico ao Mediúnico, LEAL. 1ª edição. Salvador/BA, 1994
Tereza Cristina D'Alessandro
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