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O LIVRO DOS ESPÍRITOS * Estudo de: Eurípedes Kühl

PARTE TERCEIRA - Das leis morais
CAPÍTULO VII — DA LEI DE SOCIEDADE - (questões 766 a 775)
7.1 – Necessidade da vida social - (questões 766 a 768)

O ser humano, como de resto quase todos os demais seres vivos, mantém-se agrupado aos seus iguais, durante a vida toda, ou na maior parte dela. Essa peculiaridade, sobre ser uma questão de sobrevivência, seja pelo apoio recíproco, seja por sintonia de instintos, no caso humano é acrescida do fato de que ter companhia representa permanente oportunidade de novos aprendizados.

O homem, em particular, é essencialmente gregário. Assim Deus o fez. Tal visa o progresso, que como já vimos, é Lei Moral, inexorável, para tudo e todos.

OBS: Uma pessoa que do nascimento à morte não tivesse qualquer companhia humana, certamente não evoluiria. Uma ou outra eventual ocorrência nesse sentido, de que a história já tem registro, restou demonstrado que se instala degradação do ser humano — caso dos denominados “meninos-lobo”, que andam de quatro, emitem sons estranhos e não têm qualquer cuidado físico, agindo apenas por instinto.
7.2 – Vida de insulamento. Voto de silêncio - (questões 769 a 772)

O indivíduo que preferir a solidão à companhia de seus semelhantes estará agindo por egoísmo. Temos exemplo disso pelos eremitas, que vivem isolados ou apenas com outros de igual pensamento isolacionista, vivendo eles em lugares ermos, afastados, distantes do convívio social e da própria civilização.

OBS: Sempre a Humanidade devotará gratidão ao ínclito Dr Albert Schweitzer (1875-1965), francês, médico, escritor, teólogo protestante, organista de nomeada e musicólogo. Jovem ainda, ao tomar conhecimento da miséria reinante na região de Lambaréné, no Gabão (África), decidiu estudar Medicina. Formado, desligou-se da civilização e internou-se naquela sofrida região, onde fundou um hospital para leprosos. Ali permaneceu por cinqüenta anos, atendendo enfermos de praticamente todas as patologias, numa sublime lição de humanismo! O que glorifica a vida desse missionário é o fato de que, sendo organista de fama mundial, trocou os holofotes dos grandes palcos europeus pelo brilho das estrelas em plena selva bruta. Em 1952 recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Quanto aos que inclusive fazem o chamado “voto de silêncio”, entregando-se em clausura às preces e à mortificação, causa espanto ao bom senso que praticamente ignorem (para não dizer “desprezem”) as bênçãos divinas da palavra, da convivência em família e da participação social — sublimes fatores catalisadores da evolução.

OBS: “A palavra é de prata, o silêncio de ouro”. Eis um aforismo popular que, como todos os demais, não deve ser aplicado como regra geral, senão sim, como um sábio conselho para que a palavra só seja utilizada em atos e fatos de valor moral (difícil...).
Em última análise, a reclusão e o mutismo, com ausência de convivência e sem obras, em vida apenas contemplativa, impedem também o progresso, não só do praticante, mas de toda a sociedade.

OBS: Mas, peço licença para duas outras reflexões a respeito do afastamento da civilização ou da reclusão social, espontaneamente ou não:

1ª - Nós, os espíritas, temos por convicção que trazemos para cada existência terrena todo um acervo de comportamentos e tendências, acumulado em vidas passadas. Aí, talvez nos seja permitido inferir que o eremita seja aquele indivíduo que em outras vidas tenha vivenciado pródiga atividade social, senão com luxúria e futilidade, ao menos com desperdício de oportunidades evolutivas. No Plano Espiritual, conscientizando-se disso, requer vida distante do rebuliço social, podendo ser então programado para viver em regiões remotas, quais a dos esquimós, dos caiçaras, dos ruralistas de pequenos e distantes povoados.

2ª - Numa outra hipótese, sem que tenha havido tal programação, de “motu próprio” o indivíduo decide afastar-se do meio social, partindo quase sempre sozinho para longínquas regiões. Assim procede para ir conviver com pequenos aglomerados de famílias, onde impera a simplicidade e cujos modos de viver proporcionem tranqüilidade. Pressente que lá encontrará a paz que sua alma deseja, ao tempo que poderá ser útil a alguém...

Num caso ou no outro, nada impedirá que o Espírito aproveite para evolver moralmente nas oportunidades que se lhe apresentem e que invariavelmente surgem.
7.3 – Laços de família - (questões 773 a 775)

Observando a Natureza muitas pessoas se espantam ante o fato de que os animais, uma vez crescidos, separam-se indissoluvelmente das respectivas famílias. Tais pessoas apóiam-se nisso para deduzir que os laços familiares são uma criação social, afastando o homem da sua própria natureza...

Grave engano, primeiro porque o animal não raciocina, não vive vida espiritual, apenas vida material, regida pelo instinto. Verdade é que quase que na totalidade as crias são protegidas pela mãe ou pai, que lhes garantem a manutenção da vida — crescimento.

No entanto, uma vez adultos, cessa tal proteção e os já crescidos descendentes espontaneamente se separam, para que ambos, filhos e pais, dêem vazão aos seus instintos, agindo precipuamente pela sobrevivência e em garantia da perpetuação da espécie.

Não bastasse o conforto moral e físico que de forma inigualável o lar proporciona, nós espíritas sabemos que é na família que se reencontram Espíritos fortemente ligados, positiva ou negativamente por laços do passado.

Sim... É ali, no palco humilde do casebre ou no esplendor do palácio que se vêem, frente a frente, velhos amores ou velhos rancores. No primeiro caso desaparece a saudade e no segundo, inaugura-se a abençoada oportunidade de reconciliação.

A abolição do laço familiar representaria grave retrocesso moral para a Humanidade, expondo os homens a uma existência com pilares no egoísmo.
Julio Natal · 195 vistos · 0 comentários
23 Out 2008

22- O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

ITENS 6 E 7: DESTINO DA TERRA E CAUSAS DA MISÉRIA HUMANA
Vivemos em um mundo de expiação e de provas; fazemos parte de uma humanidade ainda muito presa aos valores e prazeres materiais, com dificuldades de perceber os prazeres espirituais.
O bem e o mal estão tão mesclados e o mal é tão evidenciado e difundido, que muitas pessoas não conseguem visualizar as coisas boas da Terra e renegam até a existência de Deus. Entregam-se muitos a um pessimismo ou a uma acomodação aos seus males e misérias, nada fazendo para diminuí-los e eliminá-los. Vivem na busca das suas satisfações pessoais, seja a que preço for, ou fecham os olhos e os corações, isolando-se o quanto possível do contato com os considerados maus e inferiores.
Explica Kardec que esse julgamento é decorrente "de uma visão muito estreita que dá uma falsa idéia do conjunto." Esquecem essas pessoas que a espécie humana não está contida somente neste mundo. O Universo é infinito, expande-se continuamente e nele há muitos mundos habitados por seres dotados de razão, que fazem parte de espécie humana.
Aqui habitam espíritos rebeldes às leis do amor, que têm imensa dificuldade de compreender, aceitar e vivenciar as leis divinas. Portanto, é uma "pequena fração" da humanidade que aqui se encontra. Não se pode julgar o todo de algo, quando se conhece apenas uma pequena parte.
Seria bom, neste momento, uma releitura dos estudos 16 e 17 ou dos itens 5, 6 e 7: O Ponto de Vista, do capítulo II deste livro que estudamos, onde é bem evidenciada a necessidade de analisar-se tudo a partir do ponto de vista da vida contínua, infinita, ampliando-se o pensamento a novos horizontes.
A vida não se resume a uma existência na Terra e a espécie humana não se resume aos habitantes da Terra.
Assim, aqui permanece, nos planos material e espiritual, apenas uma pequena parte da população universal: os que, em fazendo sua evolução, mostram-se rebeldes e difíceis à leis universais do amor e da caridade. Permaneceremos aqui até merecermos um mundo melhor, que poderá ser aqui mesmo, quando a Terra se tornar um mundo de regeneração.
Devemos, pois, raciocinar, na análise das misérias, enfermidades, violências, maldades, sobre a qualidade dos espíritos que para cá vieram. Dessa maneira, vamos perceber diversas coisas:
- Embora mundo apropriado para expiação e provas de seus habitantes, uma penitenciária, podemos assim chamar, gozamos de uma liberdade que nos permite escolher nosso caminho e transformar esse mundo, melhorando-o. É, pois, uma penitenciária especial!
-É um mundo cheio de belezas naturais, nas quais incluímos o corpo que nos possibilita aqui viver. Há beleza por toda parte, olhando para cima, para baixo, para os lados: só não vê quem vive de olhos fechados ao belo. Nele, podemos desenvolver nossa sensibilidade.
- Ele nos oferece oportunidades mil de experiências, agradáveis umas, desagradáveis outras, mas todas auxiliando nosso burilamento espiritual: é uma escola, com professores e alunos, que somos todos nós, lições a todo o tempo, em qualquer lugar que se esteja, lições vivas, na prática, fornecendo elementos para raciocínios teóricos que possam esclarecer a todos sobre nosso destino e o da Terra. Há repetências para corrigir-se os erros, aprender coisas novas... É a escola que necessitamos.
- Nela podemos curar nossas doenças espirituais, maiores causas das doenças físicas : a Terra é um hospital, onde recebemos os tratamentos, muitas vezes duros, dolorosos, mas são os que precisamos para recuperar e obter a saúde . Todo sofrimento é válido quando proporciona bem-estar, paz e alegria.
- Por sermos seres sociais, precisamos uns dos outros, simpáticos ou não e vivemos numa sociedade de indivíduos bastante diferenciados. Quanto benefício essa dependência de uns para com os outros nos traz, na convivência de amigos, na transformação de inimigos em amigos, na conquista de novos amigos. Como somos beneficiados no relacionamento social que este planeta nos proporciona!
A Terra é um mundo para espíritos imperfeitos e rebeldes, que aqui encontram as condições ideais para continuarem seu desenvolvimento espiritual nos caminhos do amor, transformando os sentimentos negativos em positivos. Por ser um mundo de contrastes, onde convivemos tanto com o bem quanto com o mal, ele nos oferece campo para novos raciocínios, novas experiências e novos aprendizados.
Lembremo-nos sempre de que trazemos em nós inúmeras enfermidades, tais como orgulho, egoísmo, ambição, maldade, ódio, malquerença, etc. A Terra é o mundo que nos oferece, exatamente, as condições que precisamos para transformarmo-nos em pessoas melhores para nós, para os outros e para o mundo que nos acolhe.
Penitenciária, escola, hospital, ela vai, assim como nós, transformar-se em um mundo de paz na dependência do trabalho e esforço dos seus habitantes.

Bibliografia
1. Allan Kardec: O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro primeiro: Capítulo III, CRIAÇÃO, V Pluralidade Dos Mundos. Capítulo IV, PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, III e IV: Encarnação nos Diferentes Mundos e Transmigração Progressiva. Capítulo VI, VIDA ESPÍRITA, I e II: Espíritos Errantes e Mundos transitórios.
2. Emmanuel: A Caminho da Luz, capítulo III: As Raças Adâmicas.
Leda de Almeida Rezende Ebner Março / 2003
Julio Natal · 353 vistos · Deixe um comentário
23 Out 2008

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Julio Natal · 381 vistos · 3 comentários
Categorias: Primeira categoria
23 Out 2008

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