53 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO V: BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: PROVAS VOLUNTÁRIAS E VERDADEIRO CILÍCIO
Item 27: Deve-se pôr termo às provas do próximo, quando se pode, ou se deve, por respeito aos desígnios de Deus, deixá-las seguir o seu curso?
Bernardim, Espírito protetor, responde em Bordeaux, em 1863, demonstrando quanto é necessário o estudo, a reflexão das idéias e conceitos, a fim de evitar-se conclusões erradas.
A afirmação de que a Terra é um mundo de expiações e de provas, para Espíritos rebeldes às leis divinas, através das experiências que ela propicia, tem levado pessoas a deduzirem outras idéias de conseqüências até funestas.
Uma é a de que não se deve tentar atenuar os sofrimentos alheios, visto estarem as pessoas que as sofrem expiando faltas, devendo-se, pois, respeitar seu fardo. Outras pensam que até dever-se-ia contribuir para tornar esses sofrimentos mais graves, para maior benefício de quem as sofre.
Esquecem-se os que assim pensam que todos estamos na Terra para evoluir, desenvolver nosso potencial espiritual. O ressarcimento de faltas cometidas contra si próprio, contra o próximo ou contra a coletividade, é um dos fatores para que esse desenvolvimento ocorra.
Como estamos todos sujeitos a esse ressarcimento, o meio mais fácil de fazer essa evolução é através da solidariedade, da caridade, que leva um a auxiliar o outro e não deixar o outro sem ajuda ou agravar seus sofrimentos.
Os habitantes da Terra são, na sua maioria, muito imperfeitos ainda, e como esse desenvolvimento se dá segundo o livre-arbítrio de cada um, há uma grande diferenciação de idéias, de costumes entre seus membros. Isso dificulta muito o relacionamento entre pessoas , entre países.
Para auxiliar seus irmãos, Jesus trouxe o AMOR a Deus e ao próximo como lei maior. E essa lei maior é que nos manda auxiliar o outro, abrandar-lhe as dores sempre que possível, a auxiliá-lo em suas dificuldades.
Só o fato de não existir alguém que não tenha um próximo junto a si, já evidencia ser o homem um ser social, necessitando um do outro.
Nessa necessidade de todos é que a sabedoria e o amor de Deus se sobressaem. Quis Ele, que seus filhos tivessem sempre a oportunidade de auxiliar alguém e a necessidade de serem auxiliados por alguém, a fim de que o amor pudesse desenvolver-se nas mentes e nos corações dos homens.
Cita o autor a nossa ignorância em relação às necessidades espirituais das pessoas. Como julgar e decidir que é da vontade de Deus que elas continuem sofrendo? Deus, o Amor Absoluto deve preferir essa atitude a de um irmão tentando abrandar a dor de outro?
Não devemos jamais esquecer que a lei divina é a do Bem. Toda ação que contrarie essa lei provoca conseqüências desagradáveis ou dolorosas.
As expiações e as provas são meios justos, porque são efeitos de ações negativas feitas pelos homens, mas têm por objetivo maior fazê-los desenvolver-se espiritualmente. Seu tempo de duração está relacionado com as necessidades espirituais dos mesmos.
Assim, o benfeitor pode ser o instrumento de Deus para o fim daquela prova.
Não se pode também esquecer que a justiça divina é sempre misericordiosa.
Ao depararmos com alguém sofrendo, ao invés de dizer: É a justiça de Deus presente, pensemos: “Vejamos que meios nosso Pai misericordioso nos concedeu para aliviar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se o meu conforto moral, meu amparo material, meus conselhos, poderão ajudá-lo a transpor esta prova com mais força, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer cessar este sofrimento; se não me deu, como prova também, ou talvez como expiação, o poder de cortar o mal e substituí-lo pela benção da paz."
"Jamais vos encareis como instrumentos de tortura" continua o autor. "O espírita deve pensar que sua vida inteira tem de ser um ato de amor e abnegação, e que, por mais que faça para contrariar as decisões do Senhor, sua justiça seguirá seu curso. Ele pode, pois, sem medo, fazer todos os esforços para aliviar o amargor da provação, porque somente Deus pode cortá-la ou prolongá-la, segundo o que julgar a respeito."
Leda de Almeida Rezende Ebner
Novembro / 2005
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: PROVAS VOLUNTÁRIAS E VERDADEIRO CILÍCIO
Item 27: Deve-se pôr termo às provas do próximo, quando se pode, ou se deve, por respeito aos desígnios de Deus, deixá-las seguir o seu curso?
Bernardim, Espírito protetor, responde em Bordeaux, em 1863, demonstrando quanto é necessário o estudo, a reflexão das idéias e conceitos, a fim de evitar-se conclusões erradas.
A afirmação de que a Terra é um mundo de expiações e de provas, para Espíritos rebeldes às leis divinas, através das experiências que ela propicia, tem levado pessoas a deduzirem outras idéias de conseqüências até funestas.
Uma é a de que não se deve tentar atenuar os sofrimentos alheios, visto estarem as pessoas que as sofrem expiando faltas, devendo-se, pois, respeitar seu fardo. Outras pensam que até dever-se-ia contribuir para tornar esses sofrimentos mais graves, para maior benefício de quem as sofre.
Esquecem-se os que assim pensam que todos estamos na Terra para evoluir, desenvolver nosso potencial espiritual. O ressarcimento de faltas cometidas contra si próprio, contra o próximo ou contra a coletividade, é um dos fatores para que esse desenvolvimento ocorra.
Como estamos todos sujeitos a esse ressarcimento, o meio mais fácil de fazer essa evolução é através da solidariedade, da caridade, que leva um a auxiliar o outro e não deixar o outro sem ajuda ou agravar seus sofrimentos.
Os habitantes da Terra são, na sua maioria, muito imperfeitos ainda, e como esse desenvolvimento se dá segundo o livre-arbítrio de cada um, há uma grande diferenciação de idéias, de costumes entre seus membros. Isso dificulta muito o relacionamento entre pessoas , entre países.
Para auxiliar seus irmãos, Jesus trouxe o AMOR a Deus e ao próximo como lei maior. E essa lei maior é que nos manda auxiliar o outro, abrandar-lhe as dores sempre que possível, a auxiliá-lo em suas dificuldades.
Só o fato de não existir alguém que não tenha um próximo junto a si, já evidencia ser o homem um ser social, necessitando um do outro.
Nessa necessidade de todos é que a sabedoria e o amor de Deus se sobressaem. Quis Ele, que seus filhos tivessem sempre a oportunidade de auxiliar alguém e a necessidade de serem auxiliados por alguém, a fim de que o amor pudesse desenvolver-se nas mentes e nos corações dos homens.
Cita o autor a nossa ignorância em relação às necessidades espirituais das pessoas. Como julgar e decidir que é da vontade de Deus que elas continuem sofrendo? Deus, o Amor Absoluto deve preferir essa atitude a de um irmão tentando abrandar a dor de outro?
Não devemos jamais esquecer que a lei divina é a do Bem. Toda ação que contrarie essa lei provoca conseqüências desagradáveis ou dolorosas.
As expiações e as provas são meios justos, porque são efeitos de ações negativas feitas pelos homens, mas têm por objetivo maior fazê-los desenvolver-se espiritualmente. Seu tempo de duração está relacionado com as necessidades espirituais dos mesmos.
Assim, o benfeitor pode ser o instrumento de Deus para o fim daquela prova.
Não se pode também esquecer que a justiça divina é sempre misericordiosa.
Ao depararmos com alguém sofrendo, ao invés de dizer: É a justiça de Deus presente, pensemos: “Vejamos que meios nosso Pai misericordioso nos concedeu para aliviar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se o meu conforto moral, meu amparo material, meus conselhos, poderão ajudá-lo a transpor esta prova com mais força, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer cessar este sofrimento; se não me deu, como prova também, ou talvez como expiação, o poder de cortar o mal e substituí-lo pela benção da paz."
"Jamais vos encareis como instrumentos de tortura" continua o autor. "O espírita deve pensar que sua vida inteira tem de ser um ato de amor e abnegação, e que, por mais que faça para contrariar as decisões do Senhor, sua justiça seguirá seu curso. Ele pode, pois, sem medo, fazer todos os esforços para aliviar o amargor da provação, porque somente Deus pode cortá-la ou prolongá-la, segundo o que julgar a respeito."
Leda de Almeida Rezende Ebner
Novembro / 2005
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