COM OS OLHOS DO ESPÍRITO
(FINAL)
Giovanni Scognamillo
JohannWolfgang von Goethe (1749-1832) médium, acima de tudo, uma das glórias daliteratura alemã, relacionou-se com os grandes expoentes do pensamentoespiritualista; leu, ainda criança, obras de Emanuel Swedenborg, manteve correspondência prolongada com Lavater e porpouco, muito pouco, não tomou parte das reuniões de fenômenos mediúnicos queinvadiram a França a partir de 1850. Também lamentamos não tenha o dramaturgoestreitado amizade com o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, o futuroAllan Kardec.
Goethe, como a maioria dosgrandes pensadores, cultivou a filosofia de Voltaire (François Marie Arouet,1694-1778) e sentiu-se influenciado pelo pensamento desse extraordinário homemde visão bem adiante do seu tempo. Alimentou-se com a seiva do espiritualismoque antecedeu a eclosão da Doutrina Espírita e deixou bem clara a sua opiniãosobre a reencarnação e a comunicabilidade dos Espíritos. Como médium inconsciente,interpretou o ensino da espiritualidade, como se pode notar numa de suas obras,“Afinidades Eletivas”, onde ele escreve dirigindo-se aos leitores: “que os bonsEspíritos te envolvam e te sustentem”.
E nesta obra estuda as atitudescomportamentais e a fisiologia dos sentimentos, enfatizando que estes nãoprovém do corpo denso, mas que residem na essência que habita este corpo.
Logo, Goethe afirma que asvirtudes, assim como os vícios, são inerentes ao espírito. Também alerta, emtom bastante preocupante, sobre a desagregação afetiva que atinge o conjuntofamiliar.
Como já foi divulgado nesteboletim, Goethe foi amigo do poeta Schiller e previu a desencarnação prematuradeste.
Schiller trabalhava nacomposição da obra literária “Demétrio”, quando adveio a sua partida destemundo. E Goethe assumiu a responsabilidade de completar a obra que ficouinacabada.
E o fez com tamanha fidelidade quenão se nota onde parou um e começou o outro. Com certeza, o Espírito Schillerse serviu daquele amigo e médium, e assim completou o livro. Na sua obra“Werther”, escrita nos anos de juventude, diz: “Não sei se nesta região pululamespíritos enganadores”. Para logo afirmar:
“Em volta das fontes e dasnascentes volitam espíritos benévolos”. E, escrevendo a uma amiga, afirma a suaconvicção nos mundos habitados, recitando as palavras de Jesus “No reino do Paiexistem muitas moradas”.
Pouco antes de desencarnar,escreve uma página eminentemente espírita: “Canto dos espíritos sobre aságuas”, conforme se lê: “A alma do homem é como a água, do céu vem, ao céuascende, depois retorna sobre a Terra, num eterno alternar”. Também confidencioua um amigo sobre as vidas sucessivas: “Estou certo de que já estive aqui, comoagora existo, já existi mil vezes antes de agora, e espero retornar mil vezesainda”. Vale ainda citar o que escreveu em 1823 em relação ao pensamento que éum atributo da alma: “Um ser pensante não pode absolutamente pensar e nãoexistir. Não existe a cessação do pensamento e da vida.
Assim, cada um traz em simesmo, involuntariamente, a prova da imortalidade”. Fica evidente que Goethe tambémleu as obras de René Descartes (1596-1650), o autor da frase cogito ergo sun(penso, logo existo).
Goethe formou com Schiller aimbatível dupla do romantismo alemão, e o seu viver foi uma perene busca daessência espiritual que ocupa, temporariamente, o corpo somático perecível,instrumento de manifestação do princípio imortal. Colaborou, de formaconsciente, naquilo que escrevia e falava, para o surgimento da Doutrina Codificada,e não seria demais dizer que este iluminado escritor pode ser aceito na galeriados precursores do Espiritismo, pois, acima de tudo, ele viu esse mundo maravilhosocom os olhos do espírito.
Como informamos no primeiroartigo desta série, a fonte consultada, além das obras de Kardec, foi a revista“Luce e Ombra” (Luz e Sombra), que reproduziu a conferência da divulgadoraespírita italiana Paola Giovetti no “Centro Studi Parapsicologici”, de Bologna,sobre o grande escritor alemão.
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