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O LIVRO DOS ESPÍRITOS Estudo de: Eurípedes Kühl

PARTE TERCEIRA - Das leis morais
CAPÍTULO XI — DA LEI DE JUSTIÇA, DE AMOR E DE CARIDADE - (questões 873 a 892)
11.1 – Justiça e direitos naturais - (questões 873 a 879)

O sentimento de justiça, no seu sentido mais puro, mais transcendental, constitui equipamento que Deus concede ao homem, ao criá-lo, motivo pelo qual todos nós, sem exceção, temos arraigado no nosso íntimo, essa sublime bênção.

Para conceber e sentir a justiça, no seu verdadeiro caráter, não há necessidade de conhecimentos, de quaisquer estudos e diplomas, ou de cultura.

As diferenças de entendimento do que seja justiça, tão patentes segundo a variação cultural de pessoas, sociedades, nações ou mesmo épocas se deve às paixões que o ser humano sempre desenvolveu e vem desenvolvendo, quando diante de um mesmo fato emite diferentes pareceres.

A verdadeira justiça compreende o respeito ao direito dos outros.
E, “por direito dos outros”, ninguém melhor do que Jesus o definiu: “Para o próximo, o que quero para mim”. Assim, jamais alguém poderá ter dúvida do que é justo, em qualquer situação: por empatia, basta colocar-se no lugar do outro.

OBS: Empatia = tendência para sentir o que sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa.

Não há como alguém baralhar a questão dos direitos, avocando para si mais do que faz jus, desde que faça uma análise dos seus limites, em retrospecto sincero de suas forças e de suas fraquezas, pois não há melhor juiz do que a própria consciência. Autoridade e subordinação decorrem dessa expressão.

Mas, o que caracteriza a justiça plena, qual a que Jesus sempre vivenciou será aquela praticada com caridade, por alguém que tenha amor pelo próximo.
11.2 – Direito de propriedade. Roubo - (questões 880 a 885)
A Vida é o primeiro e mais sublime de todos os direitos de cada ser.

Trabalhar pelo bem próprio e da família, na fase ativa, garantindo a madureza, através de patrimônio honestamente conquistado (sem prejuízo de outrem) é direito natural, tanto quanto a defesa desse patrimônio. E o que define o “quantum satis” desse patrimônio repousa na compreensão de que cada homem deve possuir o que lhe basta e aos seus.

Pode-se afirmar que tudo aquilo que resultou de roubo é indevido.

Não devemos jamais nos esquecer que na verdade tudo pertence a Deus, pelo que, na Terra, num sentido elevado, ninguém é dono real de propriedades, senão sim, apenas depositário, ou usufrutuário delas — como, aliás, todos nós...
11.3 – Caridade e amor do próximo - (questões 886 a 889)

Caridade = benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.
A prática da caridade leva o indivíduo a ser bondoso com todos, indistintamente, sejam subordinados, pares ou superiores. Diante de alguém em estado ou situação inferior à sua, procura elevá-lo, diminuindo a distância que o separa desse alguém.

Há ainda outro enfoque para a prática da caridade: para com os inimigos...

Obviamente, e desde já é bom ficar claro o quão difícil é, para a maioria dos homens, cumprir a recomendação de Jesus para que “amemos aos nossos inimigos”. Contudo, para que tão meritória postura seja praticada, ela requer o entendimento de que isso pode ser feito com as seguintes atitudes, não excludentes:

- de forma alguma se vingar — sequer imaginar vingança;

- orar por eles com sinceridade no coração, estejam ou não em dificuldades;

- desejar que prosperem, que vençam, que sejam felizes;

- regozijar-se quando souber que algo de bom aconteceu com eles.

- não perder oportunidade de reconciliação, por menor que seja.

No item da doação de esmola o doador tem que cuidar para que o ato não humilhe o pobre. Já por demais humilhante sobreviver como pedinte na via pública. Além da ajuda material, indispensável a delicadeza, uma boa palavra, um conselho evangélico. Se na sociedade houvesse amor ao próximo não haveria pedintes.

OBS: Crianças nos semáforos, nos cruzamentos movimentados ou em pontos estratégicos do passeio público, pedindo esmola, fazendo malabarismos, limpando pára-brisas, espelham um triste quadro. E é assim que, em se tratando de esmola, quando o foco se dirige para o tema “dar esmola a crianças nas ruas“, há controvérsias... Uns defendem a doação, direta, outros a condenam.Os primeiros agem apenas por compaixão; já os segundos, defendem que tal ajuda seja indireta, admitindo-a apenas se for dirigida a Órgãos oficiais ou a ONG (Organizações Não Governamentais), ambas que tenham condições e competência para administrar as doações, mas acima de tudo credibilidade.

— Quem está com a razão?...

Quem dá esmola na rua considera que age por caridade. Invocam o aval de Jesus, quando bem já aconselhava (Mateus, 25:35,36) a bondade de dar comida para os famintos, água aos sedentos, agasalho para os nus ou desabrigados e visita (apoio moral) aos doentes ou presos.

Já aqueles que discordam da doação direta contemplam a indireta, argumentando racionalmente que o objetivo é combater uma forma perniciosa de exploração da mão-de-obra infantil: o trabalho nas ruas. Pesquisas que realizaram demonstram, por exemplo, que na cidade de São Paulo, atualmente, estão cerca de 3.000 crianças e adolescentes nas ruas, pedindo dinheiro, vendendo balas ou praticando malabarismos. Dessas crianças, eis o que apuraram, em 180 cruzamentos de ruas: 85% têm casa e família; 96% estão matriculados em escolas; 10% moram na rua; 5% obedecem a aliciadores (adultos) que os dominam; em média, cada uma arrecada cerca de R$450,00 (isso é muito mais do que eventuais auxílios oficiais lhes destinam...).

Várias cidades no Brasil têm ou tiveram campanhas visando inibir esmola a crianças: Belo Horizonte(MG), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Vitória (ES), Campinas (SP), Botucatu (SP), Chapecó (RS), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Macaé (RJ), Maceió (AL), Maringá (PR), Mogi das Cruzes (SP), Porto Alegre (RS), Santa Bárbara do Oeste (SP), São Luis (MA), Recife (PE) e Teresina (PI). No Estado do Rio Grande do Sul mais de 15 cidades do interior aderiram a esse tipo de campanha distribuindo folhetos, adesivos e promovendo eventos, sugerindo às pessoas que qualquer contribuição deveria ser encaminhada ao Fundo Municipal dos Diretos da Criança e do Adolescente, administrado pelos Conselhos Municipais. Modo geral, todas as campanhas sugerem destinação de ajuda aos Órgãos oficiais ou que sejam autorizados legalmente, para amparo à criança e ao adolescente.

São diversos “slogans” empregados nessas campanhas:”Dê mais que esmola, dê futuro”(São Paulo/SP); “Amigo Real” (Banco REAL); “Criança quer futuro. Não quer esmola” (Curitiba/PR); “Não dê esmola: dê cidadania”(Teresina/PI).

Sem querer ser orientador de quem quer que seja — e já o sendo —, da minha parte, quando ajudo alguém (adulto ou criança) que aparentemente não precisa, ou que talvez não faça bom uso do que dou, evito fazer juízo de valor, na certeza de que estou fazendo a minha parte... Quanto àquele que recebe, se desvirtua tal doação, essa já não é mais responsabilidade minha, e sim, ou dele ou de terceiros que a isso o constrinjam.

Gosto e tento praticar o seguinte conselho, de autoria atribuída ao Espírito Meimei:
“Jamais passes distraído diante do necessitado”.
11.4 – Amor materno e filial - (questões 890 a 892)

O Amor é qual um leque de infinitas hastes. Uma delas, senão a mais brilhante, com certeza uma das mais, é o amor materno!

Quanto aos animais vemos que os filhotes recebem amor semelhante a esse, havendo extremada proteção enquanto são pequenos; uma vez desenvolvidos cessa a ligação materna e cada animal parte para seu destino. Bem ao contrário ocorre com o ser humano, eis que a mãe jamais deixa de amar ao filho, a ponto de, quando um ou outro atravessa o Rio da Morte, o amor materno permanece ligado.

Encontrar mãe que chegue até a odiar o filho, ou filho que odeie aos pais, que por isso mesmo não lhes têm ternura, tais dolorosos quadros remete-nos ao passado, onde tais espíritos se endividaram fortemente. Agora, abençoados pela Providência com o enlace familiar, objetivando aparar tais arestas e se harmonizarem, estão desprezando tal bênção.

Julio Natal · 211 vistos · 0 comentários
30 Out 2008

27 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO- ALLAN KARDEC

CAPÍTULO IV: NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS, SE NÃO
NASCER DE NOVO - ITENS 1 E 2

Antes de iniciar o estudo deste capítulo, gostaríamos de lembrar que quase todos os capítulos deste livro, estão organizados de uma mesma maneira. Após o título e os subtítulos, estão os textos evangélicos referentes ao tema, depois os escritos de Kardec, nos quais apresenta as explicações espíritas sobre os textos, desenvolvendo-os, e em terceiro lugar, Instruções dos Espíritos, também sobre o tema, num detalhamento ou conclusão do estudo.
”E veio Jesus para os lados de Cesárea de Felipe e interrogou seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias e outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que sou eu? Respondendo, Simão Pedro disse: Tu é o Cristo, filho do Deus vivo. E respondendo, Jesus lhe disse: Bem - aventurado és Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas sim meu Pai que está nos céus." (Mateus, XVI: 13 a 17)
“E chegou a Herodes, o Tetrarca, notícia de tudo o que Jesus obrava, e ficou como suspenso, porque diziam uns: É João que ressurgiu dos mortos; e outros: É Elias que apareceu; e outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou. Então, disse Herodes: Eu mandei degolar a João; quem é, pois, este, de quem ouço semelhantes coisas? E buscava ocasião de o ver." (Marcos, VI:14e15; Lucas, IX: 7 a 9 )
Em relação às qualificações usadas por Jesus declarando-se ora como Filho de Deus e ora como Filho do Homem, Kardec faz algumas considerações em Obras Póstumas, no Estudo Sobre a Natureza do Cristo, item IX.
Declarando-se Filho de Deus, Jesus indicava sua posição de submissão ao Pai de todos, demonstrando no seu viver na Terra, como o filho de Deus que, tendo alcançado o grau de Espírito Puro, em mundos materiais, fora designado para guiar essa humanidade ainda imperfeita e rebelde, ensinando as leis morais e servindo como modelo aos seus irmãos.
A respeito das declarações sobre ser Filho do Homem, Kardec cita alguns versículos da Bíblia, de Ezequiel, narrando Deus falando com ele, tratando-o como Filho do homem e de Judith, VIII, 15: “Porque Deus não ameaça como os homens e não se inflama” em ira como o Filho do homem", onde está bem clara, entre os judeus, a idéia de "nascido do homem. Ao assim referir-se, Jesus deixava bem claro que ele era igual a todos, que ele também pertencia à humanidade em geral, fora criado como todos, fizera sua evolução espiritual como todos têm de fazer, antes a Terra existir. Daí, poder ser o guia e o modelo para seus irmãos em evolução.
Pelas suposições, nos dois textos acima, de que Jesus pudesse ser Elias, ou Jeremias ou algum dos Profetas, percebe-se que os judeus aceitavam a idéia da reencarnação, de forma nebulosa, indefinida, sem compreensão, evidenciada pela possibilidade de Jesus ser também João Batista, que fora decapitado, quando Jesus já divulgava seus ensinos. Aceitavam a volta à Terra dos seus mortos ou de alguns deles, mas não se aprofundavam nesta idéia, nem na de vida futura, após a morte.
Continuando as considerações sobre o texto acima, vamos refletir sobre a afirmação de Jesus, quando após haver Simão Pedro respondido : tu és o Cristo, filho do Deus vivo, assim diz: " Bem - aventurado és Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas sim meu Pai, que está nos céus."
Como devemos interpretar a expressão: “não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas sim meu Pai que está nos céus."?
Pensamos que ela significa que Pedro, como homem da época não tinha condições intelectuais para responder com exatidão, como o fez, a pergunta feita por Jesus. Não falou por ele, não sabia o que falava, simplesmente, falou o que lhe veio à mente, sem raciocinar: foi um instrumento mediúnico, fazendo uma revelação, vinda de mais alto, do plano espiritual. Foi um ato mediúnico, revelando a verdade sobre Jesus. (Parábolas e Ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel, capítulo Pedra Rejeitada, editora O Clarim)

Leda de Almeida Rezende Ebner
Agosto / 2003
Julio Natal · 180 vistos · 0 comentários
29 Out 2008

26-O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC

CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

ITEM 19: PROGRESSÃO DOS MUNDOS
É outra mensagem de Santo Agostinho, também psicografada em Paris, em 1862, que Kardec escolheu para encerrar o capítulo.
Antes de iniciar seu estudo, vamos esclarecer alguns termos. Em primeiro lugar, lembrar que muitos significa em grandes quantidades. Em se tratando de mundos para morada de espíritos que povoam o universo infinito, e considerando que estão todos (os espíritos) em infinitos graus de evolução, desde os mais recentes, podemos dizer recém nascidos na espécie humana, até os Puros, esses muitos mundos têm de ser, infinitamente, diferentes.
Progressão significa segundo o dicionário Houaiss "ação de progredir; desenvolvimento gradual (de um processo); progressividade, sucessão, continuação."
A Casa de meu Pai é o Universo infinito. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos imortais, moradias próprias ao grau evolutivo de cada um.
Santo Agostinho vem nos dizer que a lei do progresso, a qual Kardec classificou como lei natural, funciona para todos os seres animados e inanimados, para levá-los, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, porque Deus quer “que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que parece para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de renascer, e nada volta para o nada."
Assim como os seres vivos progridem intelectual e moralmente, os mundos também progridem.
A história dos mundos nos faz ver que desde a aglomeração dos primeiros átomos na formação deles há uma progressão contínua, um desenvolvimento imperceptível para cada geração, mas dando a seus habitantes condições mais agradáveis, à medida que eles também avancem na senda do progresso, interferindo com a inteligência nas forças da natureza.
Nada fica estacionário: evoluem, paralelamente, os animais, as formas de moradia, de vestuário, de alimentação, de idéias... Em tudo há um dinamismo evolutivo, progressivo.
A Terra, com sua humanidade, seguindo essa lei, esteve material, intelectual e moralmente, em um estado inferior ao de hoje. Já foi mundo primitivo, tornou-se de expiações e de provas e vai transformar-se em um mundo regenerador, onde seus habitantes se esforçarão para viver o bem, numa luta sem as angústias de hoje, pela certeza que terão da existência e imortalidade do ser espiritual, com todas as suas conseqüências de compreensão, segurança e confiança nas leis divinas.
Estamos vivendo um longo período de transição, onde o mal, a violência torna-se visível a todos, ao nosso redor ou através dos meios de comunicação. É o mal tendo que ser bem conhecido, é a exibição das feridas, do feio, do choro, para que o homem desperte de vez e use sua inteligência, sua sensibilidade, sua fé, sua vontade no esforço de erradicá-lo através do sentir o bem, pensar no bem e fazer somente o bem e não através do mesmo mal, da mesma violência.
Vivemos uma época, talvez em aspectos diferentes, mas que se assemelham aos tempos dos primeiros cem anos do cristianismo: época de mudanças marcadas nas idéias dominantes até então, quando os seguidores de Jesus se doaram na divulgação através da palavra, da vivência da Boa Nova que Jesus trouxe. *
Hoje, a grande maioria dos homens sente necessidade de conhecer o futuro, quem somos de onde viemos, para onde vamos, e os atuais seguidores do Cristo, principalmente os espíritas, pelos esclarecimentos que possuem, têm o dever de divulgar os princípios de sua doutrina pelos meios de comunicação existentes, mas, principalmente, pelo exemplo, pela vivência sincera da fraternidade, da tolerância, do perdão e do amor.
* Esta idéia li em algum livro espírita, mas não sei mais em qual, nem seu autor. Como concordo com ela, inseri neste estudo.
Bibliografia:
1 - Allan Kardec, O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro Primeiro: Capítulo III: CRIAÇÃO, V: Pluralidade dos Mundos. Capítulo IV, PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, III e IV : Encarnação nos Diferentes Mundos e Transmigração Progressiva. Capítulo VI, VIDA ESPÍRITA, I e II: Espíritos Errantes e Mundos Transitórios.
2 Emmanuel, A CAMINHO DA LUZ, Capítulo III: As Raças Adâmicas

Leda de Almeida Rezende

Julio Natal · 103 vistos · 0 comentários
29 Out 2008

Educação Espírita: Evangelizar ou Comunicar o Espiritismo?

Marcelo Henrique (SC)
E-mail: cellosc@bol.com.br

Há a necessidade da evolução do processo de ensino-aprendizagem do espiritismo nas instituições espíritas buscando, assim, uma maior sintonia com a proposta pedagógica dos Espíritos Superiores, alicerçada no coerente e competente trabalho de Allan Kardec.
Demonstrar o quanto o nosso trabalho individual e coletivo é importante para o momento histórico e doutrinário que atravessamos, é a nossa proposta central.
Tratando especificamente da Educação Espírita, devemos entender o processo de evolução que desemboca nos dias atuais. Em primeiro lugar, a Educação é um processo de totalidade, que visa o engrandecimento completo do ser espiritual. Assim, a proposta educativa do espiritismo é muito mais ampla do que o conceito de evangelização, porque esta representa, a princípio, "educar conforme o evangelho", isto é, assume a conotação reducionista, apoiada tão somente no Evangelho.
Contudo, alguém poderia dizer: - Mas, no Evangelho de Jesus não estão contidas as máximas, orientações e respostas para as diversas contingências da vida? Sem dúvida... Mas, o que acontece, na realidade, é a tentativa de "imposição" de uma determinada crença, isto é, a "religião" espírita, tal qual se faz entre as diversas denominações religiosas de nosso tempo. O importante é a abertura dos conceitos e propostas, no sentido da evolução espiritual do ser, através do esclarecimento, sem necessidade alguma de "doutrinar" alguém.
Quando, então, passamos a utilizar a expressão "educação espírita", necessariamente, saímos da visão de "evangelização", porque não existe o compromisso de fazer com que os outros "aceitem" nossas verdades, ou os fundamentos do espiritismo, sem raciocinarem - eles - especificamente sobre as diversas questões que o espiritismo possa apresentar. Assim, investimos num novo paradigma para a Educação Espírita, que é o de "comunicar" o Espiritismo. Comunicar é repassar idéias, mas também recebê-las, porque em verdade cada ser traz uma bagagem espiritual que lhe permite discutir as principais questões de sua vida, suas relações, do mundo, do universo...
Quando eu me comunico com o outro, eu desço do "pedestal", de professor, de orientador, de mestre, de "sabe-tudo", passando a conhecer melhor o universo do educando e, com isso, com sua experiência, sua realidade pessoal e, com base nos cenários de sua vida, posso ampliar o meu conhecimento e o dele, num aprendizado recíproco e constante.
A proposta contida na filosofia espírita, tendo como anteparo as obras básicas, embora não limitada a elas, porque o conhecimento é, também, evolutivo, está firmada sobre a noção de Espírito como "Ser Integral" e prega a evolução como necessidade de todos os seres, depois de criados. Se o ser é integral, ele não pode se dar ao luxo de privilegiar apenas uma faceta do conhecimento. Tem, com isso, que enveredar por diversas searas, onde aprenderá com as experimentações e, se ficar limitado a apenas um aspecto, não alcançará a completude, a integralidade. Reconhecemos que, embora necessária no percurso evolutivo da Educação Espírita, a fase da evangelização já se encontra superada. Foi importante a fase do "catecismo espírita", ou as aulas de "educação evangélica ou moral" para as crianças.
Naquela época, tudo girava em torno da idéia de espiritismo como religião. A proposta espírita é bem mais abrangente. Veja-se o próprio "conceito" de Espiritismo, epigrafado pelo Codificador na abertura de O livro dos espíritos:
"Filosofia espiritualista, com bases científicas e conseqüências morais".
Privilegiar um aspecto em detrimento dos outros, sobretudo nas fases iniciais, de educação espírita para crianças, adolescentes e jovens, é minorar a importância do trabalho que a Educação Espírita proporcionará a todos que dela se aproximarem.
Não somos favoráveis à educação "evangélica"; somos adeptos da Educação Espírita, a qual indica que os conteúdos programáticos contidos nos planos de ensino de cada um dos grupos (faixas etárias) irá apresentar o espiritismo com base na sua tríplice concepção: ciência, filosofia e moral. Na maioria dos centros, de norte a sul, relega-se a educação espírita ao segundo plano. Preocupam-se com palestras, passes, reuniões mediúnicas, deixando a educação de crianças, adolescentes, jovens e, pasmem, até adultos, para "voluntários". Claro que é importante também verificar a realidade de cada instituição. Nem sempre há pessoal qualificado e experiente para a função, mas isto não pode ser desculpa para o "amadorismo" na execução da tarefa...
Se não temos um Pedagogo, um Professor com formação universitária, ou, mesmo, alguém que fez magistério, que invistamos na formação destes "educadores", possibilitando-lhes o acesso à bibliografia especializada, a realização de cursos e seminários, a participação (obrigatória) em eventos da área, promovidos pela casa ou outras instituições. Além disso, a criança e o jovem precisam de alguém que fale a sua língua, que lhe proporcione o conhecimento com alegria, confraternização, entusiasmo... Antes, quem realizava a evangelização nas casas? Geralmente aquela dona de casa, o aposentado, o companheiro - com muito boa-vontade, até - mas que não tinham experiência didática - e, às vezes, nem formação doutrinária suficiente para lidar com este público...
Então, o que se via (e ainda se vê) era o esvaziamento das reuniões e os conflitos... Muitos centros, também, optavam por destinar o trabalho de evangelização - sobretudo das crianças - para um ou mais jovens da mocidade.
Igualmente, o trabalho - embora feito com muito carinho - deixava a desejar...
Temos que entender a necessidade URGENTE da especialização das atividades espíritas, destinando muito mais atenção para a formação - sólida e adequada - de nossas crianças e jovens. Se deixarmos isso de lado, não alcançaremos bons resultados na tarefa.
A proposta pedagógica da comunicação espírita funda-se precipuamente na idéia da participação. O educando não é mais encarado como receptáculo do conhecimento, uma página em branco, na qual você, Educador, vai inscrevendo conceitos, teorias, noções... A idéia básica é a do envolvimento total do educando, procurando adequar à proposta curricular uma metodologia de ensino que contemple o acesso ao universo que o educando participa: família, amigos, escola, centro, vizinhança, clube...
O contexto ensino-aprendizagem, assim, fica bastante enriquecido, porque as informações de natureza espírita passam a se relacionar diretamente com a dinâmica de sua vida. Assim, entendemos a necessidade urgente da reformulação, primeiro, da visão do que é educação, pois aquele ser que está ali, no grupo de infância, pré-juventude, juventude ou mocidade, é, segundo a doutrina, um espírito imortal, com diversas experiências vá-lidas no pretérito. E, não somente isto; no presente, também tem vivências que devem ser exploradas, procurando encaixar as noções espíritas às experiências do hoje, condição inafastável para o êxito da tarefa. Quanto à idéia da comunicação, eu perguntaria: - Você se comunica bem? Os outros entendem o que você fala? O que você quer? Você presta atenção no que os outros estão dizendo, num diálogo? Quer saber o que o outro pensa? Ou está preocupado,
apenas, em "doutrinar" o outro, em fazer com que ele pense igual a você?
É este o escopo do trabalho da "comunicação do espiritismo". Não ensinar os outros, como somente você fosse o proprietário do saber. Aprender com ele, também, mesmo que você já conheça muito mais do que ele em várias áreas do conhecimento humano. Em suma, estar disposto a, no diálogo com o outro, dar espaço de expressão para ele, respeitá-lo, entendê-lo e, num aprendizado recíproco, compreender melhor a doutrina, a vida, a sua realidade, a do outro, o universo...
Aqui em nosso movimento espírita local, temos insistido na criação (o exercício da criatividade). Os educadores espíritas devem deixar de lado a idéia de "manual", de "apostilas", porque estes, na maioria dos casos, são iguais às receitas de bolo: têm os ingredientes e você tem que fazer exatamente como ali está para dar um "bom" resultado.
Toda generalização, contudo, é temerária e deficiente... Como adequar uma mesma apostila para realidades tão díspares quanto às experimentadas nas diversas regiões deste nosso Brasil continental? Como aplicar um mesmo plano de curso para crianças de um bairro de classe média, onde há um centro espírita, e para aquelas que freqüentam um centro de periferia, ao lado de uma favela? É evidente que existem ótimas obras à nossa disposição, inclusive, as mais recentes, que contribuem com aspectos relativos à filosofia da pedagogia espírita, currículo, metodologia de ensino e até sugerem técnicas de estudo e dinâmicas de trabalho em grupo. O importante é utilizar todo e qualquer material disponível como "ponto de apoio" e nunca como "mapa" ou "receita". Na verdade, nós nos acomodamos com o tempo... Perdemos a graça, o estímulo, a criatividade, e até o interesse. A grande sacada é, então, descobrir-se, encontrar uma fórmula real para o trabalho cotidiano. Não se conformar com aquilo que alguém apresentou como "fórmula" para a educação.
Mas, veja bem, não estamos dizendo: - Jogue as apostilas no lixo, ou esqueça-as... Na verdade, queremos dizer: não as utilize apenas e tão somente como o único recurso didático para o seu trabalho. O "grito de misericórdia" para a independência pedagógica do trabalho educacional espírita é: faça, ouse, acredite, crie, aconteça. Nossos educandos precisam disso... Urgentemente!
Noutro prisma, as manifestações artísticas e o uso de dinâmicas ou técnicas de estudo são um complemento competente ao ensino espírita. Mas, na maioria das instituições, infelizmente, a proposta da arte como divulgação e educação espíritas ainda é vista com ENORME preconceito. Perdemos excelentes oportunidades de "dar o nosso recado", de instruir, de aprofundar conceitos, de provocar as emoções (positivas), de fazer rir e chorar, porque alguns acham que a arte espírita é uma deturpação da proposta educacional...
Uma lástima! Na verdade, os recursos didáticos mais modernos, nas escolas e universidades, apontam para a multidisciplinaridade, as multifacetas dos inúmeros recursos postos à nossa disposição. Em suma, tudo na vida pode ser considerado inicialmente neutro: você pode usar para o bem ou para o mal, para construir ou destruir. Veja o caso da música... Há canções belíssimas, com mensagens fantásticas, que elevam o ser, põem-no p'ra cima, dão incentivo para que ele lute e vença... Em contrapartida, temos "músicas" sofríveis, como aquelas que vemos na maioria dos programas de auditório. Isto acontece porque, pedagogicamente falando, há público para tudo, ou, "gosto p'ra tudo", como se costuma dizer. Nas instituições espíritas em que colaboramos, sempre incentivamos a arte, nas suas diversas expressões (música, teatro, dança, fantoches) e a literatura para transmitir a mensagem positiva do espiritismo. A arte, aliás, como os Espíritos a conceituam, é "o belo fazendo o bom". E se é belo, conduz ao bem.
Então, de que forma a educação espírita está ligada ao "comunicar"?
Comunicar, há décadas atrás representava a existência de um emissor da mensagem e um receptor da mesma. Ou seja, alguém detinha o conhecimento e o repassava para quem dele precisava. No aspecto pedagógico, funcionava assim: lá pelas décadas de 70 e 80, numa época altamente repressiva, quem eram nossos educadores e professores? O que acontecia numa sala de aula? A palavra do educador, do professor era A LEI... Então, ninguém discutia.
Com a abertura, o que são nossas salas de aula e espaços pedagógicos (dos diversos ambientes - inclusive o Centro Espírita -) hoje? Espaços de construção coletiva.
Não existe mais o "dono da verdade", o "dono da informação". É necessária sim, não uma receita de bolo, mas a oportunização da mudança do processo.
Envolver o educando, tirar dele todo o proveito, toda a participação, fazê-lo cúmplice, para que ele também possa decidir o que deseja aprender primeiro, e em que aspectos a informação espírita pode lhe ser útil, hoje. Comunicar o espiritismo, assim, é também aprender com o outro, e numa idéia de ALTERIDADE, crescer com aquilo que o outro possa lhe propiciar, no diálogo, no trabalho, na vivência, na aula, na vida... Alteridade é, assim, a nível comunicativo espírita, a idéia de que o outro não está ali para receber, mas para receber e doar, porque, em suma, todos nós, espíritos em evolução temos muito que aprender e trocar, uns com os outros.
É importante salientar, também, que o continuísmo das atividades acaba afastando o jovem da Casa Espírita e o levando a freqüentar outros grupos religiosos, onde a expressão do jovem é mais livre, mais atraente. Não vamos entrar no mérito de "qual proposta é melhor", porque nós, espíritas, vamos dizer sempre é a nossa. Muitos centros estão centrados no modelo administrativo do século passado, excessivamente centralizados, pouco democráticos, onde a liberdade de expressão e construção coletiva beiram a zero. Isto não quer dizer que, em determinadas circunstâncias, não se tenha participação, ou decisão com bases coletivas. Mas, em essência, aquela figura do "presidente-mandão", centralizador, todo-poderoso, infalível, sabe-tudo, é uma constante...
Resultado: toda proposta "alternativa", que fuja aos padrões pré-concebidos, é vista com desconfiança, não é aceita e, até, é rejeitada com ameaças.
Fundamentalmente, o que se precisa modificar é a mentalidade de que os grupos (principalmente de jovens) são um universo fechado em si mesmo.
Porque não têm espaços na casa, vivem somente para si, fazem seu próprio cronograma, realizam atividades somente para o público "interno".
Ninguém é jovem para sempre (idade cronológica). Um dia, ele sairá da juventude, assumindo outras tarefas. E se não estiver preparado, ambientado, próximo, será tudo mais difícil. Na maioria das situações, ele não espera que as pessoas mudem, porque isso demora DEMAIS. Ele sai à procura de outros espaços, onde é mais feliz e as pessoas lhe respeitam, falam a sua língua e lhe dão oportunidades. Enquanto isso, nossas mocidades se esvaziam, justamente porque as demais filosofias religiosas fazem o "marketing" da fé, dando espaço pró jovem, reconhecendo seu potencial, pois ele é um "fiel" de hoje e do amanhã. E, estando satisfeito e feliz, continuará naquela filosofia por muito tempo, trazendo, ainda, amigos, parentes e outros, contribuindo ainda mais para aumentar o "rebanho". E nós espíritas, o que fazemos? Achamos que juventude boa é "a que não incomoda", que fica lá no seu cantinho, não provoca questionamentos, não reivindica espaços. Enquanto isso, nossos centros vão ficando sem jovens... Uma pena!
Como colocar, então, o jovem na prática das atividades espíritas? As universidades de hoje aliam o conhecimento teórico ao prático promovendo, por exemplo, oficinas, centros de interesse, atividades de laboratório, simulações e estágios. Falta ao movimento espírita esta visão sistêmica. Ele fica na mocidade até "estourar" a idade, e sai de lá sem nenhuma visão de conjunto, sem ter tido a oportunidade de ser "testado" nas demais atividades espíritas. Aí, ele não sabe bem o que fazer, na grande maioria das vezes... Vai ficar saltando de galho em galho, ou perdendo precioso tempo até achar aquilo que quer fazer. Na verdade, com a chamada integração, o conhecimento recíproco entre as diversas áreas da instituição, com a freqüência, a experimentação, mesmo que a nível preliminar, uma espécie de "estágio" aqui ou ali, seria possível canalizar as diversas especialidades do jovem. Mais que isso: seria investir muito mais na sua formação integral, porque, em verdade, ninguém vai ser "passista" ou "atendente fraterno" ou "bibliotecário" a vida toda, não é? Com isto queremos pregar, também, a chamada reciclagem, porque todos devem exercitar o conhecimento e a prática espíritas, nas diversas áreas da casa.
Por extensão, no âmbito da teoria e da prática espiritistas, há que se ponderar acerca da mediunidade. Como colocar o jovem frente à prática mediúnica? Não é necessária a educação teórica prévia? A mediunidade não é apenas algo teórico. Passamos muito tempo entendendo que tínhamos que receber toda a teoria mediúnica para depois experimentá-la. As coisas não são assim. A fenomenologia acontece, as vias (canais) mediúnicas se abrem e não obedecem a um planejamento didático-pedagógico. As juventudes espíritas de nosso país já vão tratando dos aspectos relacionados à mediunidade nos planos de ensino, dando ao jovem a oportunidade de conhecer a teoria espírita, em seu tríplice aspecto (ciência, filosofia e moral). Com a integração que mencionamos, naturalmente, estando apto para o desenvolvimento, ou, melhor, para as reuniões práticas mediúnicas, ele já estará amadurecido quanto à teoria necessária para o trabalho. Um grave erro, no entanto, é estabelecer critérios para a atividade mediúnica, como ter que freqüentar tantos anos de cursos e núcleos para depois experimentar.
Experiência vem com a prática e ninguém, nunca está totalmente pronto! Então, com cuidado, com a correta supervisão, o contributo dos mais experientes, sobretudo aqueles que já têm maiores conhecimentos científicos e filosóficos, será possível completar a formação. Aliar teoria e prática, como sói acontecer em todos os campos do conhecimento humano. A palavra da hora é desmistificar, simplificar o processo, como simples é a própria vida. Tratar com carinho e responsabilidade e oportunizar, favorecendo o aprendizado e a experimentação. Esta é a proposta para um "novo" espiritismo, fiel às suas bases kardecistas, mas moderno, arejado e sobretudo atraente para todos nós.
Há todo um movimento espiritual no sentido de realinhamento da proposta pedagógica da Doutrina Espírita. Inúmeros espíritos, encarnados ou não, contribuem para reorganizar as atividades espíritas, no sentido de propiciar a todos o correto entendimento das verdades espirituais. O momento é de definição. Por isso, propostas que promovem a participação, a assunção de tarefas e responsabilidades são desafiadoras, mas urgentes. Esperamos que a atividade educacional possa efetivamente estar a serviço da mensagem espírita, não como patrimônio de alguns, mas como ex-pressão legítima da liberdade e do crescimento espiritual.
Tenhamos a certeza de que, como todo e qualquer movimento de reformas, o início causa surpresa, as propostas são até combatidas, mas a constância, a perseverança e o esclarecimento de todos contribuirá para a efetivação de um novo paradigma para a proposta espírita. Comunicar o espiritismo, assim, significará, para todos, o espaço para o conhecimento recíproco, a fraternidade e o amor.
Que possamos, então, nos preparar adequadamente para isso!
Julio Natal · 26 vistos · 0 comentários
28 Out 2008

DRIBLANDO A DOR

Luiz Sérgio
Psicografia de Irene Pacheco Carvalho
"É isso, irmão, se a dor, o desequilíbrio ou a fraqueza buscarem sua alma, não se deixe abater.
Segure a mão de Deus e com fé lute contra as adversidades, principalmente quando desejar tomar tranqüilizantes ou algum outro tóxico que poderá levá-lo à dependência; nada disso dribla a dor, o que precisamos é transpor a dor com o coração repleto de fé e de amor”.
"Aqui estamos, esperando que cada equipe crie o seu método de treinamento, nunca esquecendo que o doente deve ser respeitado e que cada caso é um caso, não importando a gravidade do mesmo, lembrando sempre que Jesus é o Médico e que o seu companheiro é um enfermeiro em trabalho. O amor é a essência que todos precisam usar nesse tratamento de almas sem vida. Queremos que as pessoas sejam instruídas e alertadas sobre o perigo das drogas, mostrando às famílias que elas precisam inteirar-se do problema e que somente a compreensão e o equilíbrio poderão ajudar a enfrentar a questão. O tratamento inicia-se no lar; é nele que o jovem aprende a viver em sociedade.
Um lar sem disciplina leva o jovem a afundar-se no ócio e nos vícios. Os pais devem desenvolver no jovem o senso de responsabilidade com relação à própria vida. A criança já deve ser orientada sobre o ser valor com ser humano e o quanto a sociedade precisa de pessoas portadoras de moral; que cada ser recebe de Deus uma tarefa e ai daqueles que não tiverem tempo nem força para realizá-la.
Desejamos a todas as equipes um bom trabalho e que todos tragam para Jesus almas renovadas e felizes, e que cada jovem seja despertado para a verdadeira vida, deixando para trás as suas fraquezas, voltando a viver para o cumprimento do plano divino. Muita paz, amigos, que Deus nos acompanhe.
Lourival"
"Existem muitas divergências sobre informação e prevenção, que devem ser avaliadas por quem deseja trabalhar com drogados. É desagradável para o viciado e para quem deseja ajudá-lo ouvir um milhão de palavras inúteis sobre repressão e ameaças. O que se deve fazer é levar a pessoa a se interessar por si mesma, a se gostar, mostrar-lhe o quanto sociedade perde por tê-la tão distante, agonizante mesmo. A pessoa precisa conhecer o perigo que está enfrentando. Quem a está ajudando não está fazendo isso apenas por fazer, mas sim porque é um conhecedor do assunto. Cabe explicar ao possível consumidor, ou já dependente, que o drogado carrega um estigma, por parte da comunidade, de difícil aceitação para a família. Samita" (pág.11)
"O jovem, quando busca o tóxico, o faz por alguma causa. Se buscarmos a origem encontraremos, primeiramente, a fraqueza familiar, ou seja, pais inseguros, lar desequilibrado, filhos negligenciados ou superprotegidos, quer dizer mimo ou desprezo. Ainda mais: dinheiro fácil, excesso de liberdade”.Carlos(pag.11)
"Existem vários métodos, explicou Enoque, sendo o primeiro através de clínicas para toxicômanos. Nessas clínicas a família, ou a polícia leva o doente. Sendo assim, pouco se faz ao paciente. A psiquiatria de uma clinica tenta curar o vício e não o homem, e o drogado é um ser doente, fraco e carente. Nessas clínicas o psiquiatra não dispõe de tempo para cuidar da alma. Em segundo lugar, vêm os recintos religiosos, louvados por nós. O jovem larga a droga e busca Cristo na leitura do Evangelho. È inserido num rígido regime cotidiano, tarefas caseiras, leituras da Bíblia e cultos em horas fixas. Esse programa ensina ao doente a se disciplinar. Queríamos que em muitos lugares existissem trabalhos semelhantes a esses. Só que o viciado muitas vezes não agüenta a pressão religiosa. Mas, mesmo assim, esse programa tem ajudado inúmeras famílias. Muitas vezes, contudo, o viciado larga o vício mas se torna um fanático religioso, não voltando a ser ele mesmo." (Pág. 23)
"A espiritualidade, no momento, procura orientar o viciado sobre o seu comportamento, fazendo-o compreender o valor da vida. Enfim, ganha a confiança do doente para aplicar um remédio. É preciso uma cooperação dos pais, sem se sentirem culpados, nem filhos acusando-os. A droga adotou o seu filho e você precisa vencê-la. Quando o jovem busca a companhia da droga é porque algo acontece com ele. A família tem de conscientizar-se de que algo falhou na vida do jovem. Ou ele é por demais orgulhoso, ou tímido e complexado. Um jovem dono de si mesmo jamais se droga. A família de um drogado deve buscar a orientação de um bom psicólogo. Algo o jovem deseja: agredir a família ou se auto-destruir. Ele, muitas vezes, é agressivo, e outras vezes ótimo filho, dependendo do ambiente familiar. Os pais não são culpados, como também não o são os filhos dependentes. No dia a dia de uma família algo triste aconteceu e eles não perceberam as tendências do filho e alimentaram seu ego, fazendo dele um ser especial ou inexistente. O que é preciso é o filho ser tratado como um componente da família. Não importa a sua idade, importa, sim, que ele se julgue útil e amado por todos. Geralmente, o jovem, quando deseja agredir os pais, tudo faz para que a família descubra o seu vício. Mas se os pais continuarem desejando que ele seja um homem de bem, sem a família ter um procedimento elevado, ele continuará a agredir. Quem descobrir que seu filho é viciado tudo deve fazer para mudar o ambiente familiar. O pai tem que voltar a ser o herói da época infantil, a mãe o ninho de amor que o aconchega nas horas de tormenta. Se não for assim, o filho viverá distante da sociedade e a família sentirá ainda mais a sua ausência. Enoque" Pág. 24 e 25
“... Quem se vicia é porque gosta. Veja bem, Luiz Sérgio, o exemplo do obeso: se não partir dele a vontade de emagrecer, jamais deixará de ser gordo. Pode freqüentar as melhores clínicas, que de nada adiantará. A cura parte de dentro. O que a Casa Espírita precisa fazer é elucidar as crianças desde a evangelização, mostrar através de fantoches, de teatro infantil, o perigo do monstro devorador, que é a droga. Hoje o casal dá aos filhos bons colégios, conforto, mas se esquece do diálogo, de sentar-se com as crianças e discutir o que está ocorrendo no mundo. Um garoto de seis anos já deve participar dos comentários relativos aos acontecimentos do dia, inflação, assuntos internacionais, enfim, estar a par do que está acontecendo na sociedade, através do que aprenderá a respeitá-la. Uma criança não deve apenas brincar. Deve, desde cedo aprender a viver e só aprendemos a viver convivendo com as verdades. O mundo da criança só é fantasia até os quatro anos, passou daí ela precisa enxergar com seus próprios olhos." (Pag. 27 e 28)
“- Todos os jovens devem procurar um psicólogo?”.
- Sim, se os pais notarem que há algo errado no comportamento dos filhos, se mente por demais, se é áspero com os irmãos, se agride a propriedade alheia, se é péssimo aluno, se destrói o que é seu e o que é dos outros ou apresenta mudanças de humor.
- Mas essa já não é a conduta de um viciado?
- Não, nesse estágio a droga ainda não chegou, mas as tendências da falta de educação familiar já. Portanto, o jovem difícil precisa de um tratamento da mente antes que o verdadeiro mal o atinja: o tóxico.
- Nunca imaginei que antes o jovem apresentasse a sua outra face.
- È verdade, com oito ou doze anos a criança já está colocando para fora as suas neuroses. E parte desse princípio, daí é que vem a dependência. O jovem se droga somente para se auto-afirmar, agredir a família e sentir que está na moda.
- Por que não se educa o jovem para não consumir tóxico?
- O certo é desde tenra idade oferecer ao filho uma educação firme e disciplinada, dando-lhe exemplos de hombridade, longe das mentiras e das fraquezas.”(Pag. 35 e 36)”.
“... O viciado busca a droga porque ele deseja algo e não consegue através de uma liberação consciente, isto é, natural, sem excitantes. Se a criança desde pequena fosse educada para enfrentar qualquer situação, ela correria pouco ou nenhum risco. O aumento do número de drogados ocorre simplesmente porque o ser que está chegando à terra é recebido erradamente e criado de maneira ainda mais errada." (Pág. 38)
"-Vou aqui falar do cérebro espiritual, como se processa a entrada do tóxico no organismo humano, como reage o cérebro, enfim, todo o corpo físico e espiritual. A região frontal do cérebro, responsável pela formação do juízo e ondas de retorno, governa todas as manifestações nervosas, centro de força mental. O diencéfalo, centro de força coronário, fixa conhecimentos, virtudes, morais, compreensão. Aqui se encontra a consciência de cada indivíduo, é a sede do Espírito. Ele supervisiona os demais centros de força e lhes transmite os impulsos vindos do espírito. É ele que capta as energias da aura espiritual e as transmite aos chacras e ao físico. É a sede do Espírito, é dele que partem as decisões. Aglutina, transmite e dissemina energias do córtex cerebral para o funcionamento equilibrado de Sistema Nervoso. Ele é majestoso e de grande poder; é concentração de força do Espírito e das forças psíquicas e físicas do ambiente da vida. Irradia energias vitalizadoras e correntes magnéticas.
Portanto, é máquina poderosa que, quando violentada por pensamentos ou idéias de mentes desencarnadas, ou algo forte como o tóxico, faz com que o cérebro trabalhe com sobrecarga, muitas vezes causando sérias lesões. Daí o viciado não trabalhar ou render pouco e suas cordas vocais ficarem deficientes, falando pausadamente. O tóxico age no sistema nervoso central, composto pelo cérebro e pela medula espinhal, centro esse formado por vários bilhões de células nervosas denominadas neurônios, que se comunicam entre si por meio de mensageiros químicos denominados neurotransmissores. A droga, ao penetrar no cérebro, interfere diretamente nas transmissões desses neurotransmissores, esmagando cada célula, que possui vida própria. Estas, ao serem atingidas, fazem com que o viciado sinta sensações sempre novas e nunca idênticas. Mas morrem pouco a pouco também. E à medida que vão aumentando as doses, o viciado apresenta uma doença cerebral orgânica, dificuldade de concentração, agitação ou prostração, perda de memória e muitas vezes uma dilatação dos ventrículos cerebrais, atrofia ou até mesmo morte destes ventrículos. O cérebro de um dependente apresenta-se alterado. Por isso ele nada teme quando a droga já tomou conta, lesando-lhe o cérebro.”(Pag. 42 e 43)”.
"Quando analisamos um toxicômano, sentimos que à nossa frente se encontra alguém extremamente fraco. O tóxico é o combustível para o neurótico assumir outra personalidade. Muitas vezes a família deseja que o psicólogo opere milagres, mas não contribui para a cura do viciado. Uma família sã é mais fácil de cooperar com o profissional, mas muitas vezes o psicólogo tem de curar antes a família para depois chegar no indivíduo. Muitos pais demoram a aceitar a dependência, o vício, e para salvar o filho iniciam com as agressões. Em protesto, o filho agride e é cada vez mais agredido. O certo é a família se auto-analisar, buscar onde se encontra o erro e todos lutarem para saírem da UTI, porque não só o filho, mas a família também precisa de cuidados médicos. Um psicólogo precisa investigar a alma, conhecer o espírito e descobri-lo. Só assim encontrará no inconsciente as neuroses. Não raro essas lembranças estão tão infectadas de ódio e vingança, que o profissional tem de dar ao indivíduo seguras orientações. A família, quando se deparar com filhos problemáticos, deverá não só buscar apoio profissional, mas também se auto-analisar, porque na mais das vezes o erro vem da educação do indivíduo. O psicólogo tem de buscar a causa nas raízes profundas da alma. Se um dependente de droga desejar agredir a sociedade, esta agressão não é gratuita.”(P. 130)”.
“Olavo, como deve agir a mãe quando descobrir o vício do filho?”.
- Dar-lhe a certeza de que é amado, fazê-lo entender que tudo deve mudar dali para diante e que os pais desejam salvá-lo. Precisam ser autoritários e ao mesmo tempo carinhosos. Como digo sempre: os pais precisam de um bom psicólogo para saber tratar o filho, que hoje oferece seus serviços profissionais gratuitamente em muitas instituições.”(Pag. 131)”.
Julio Natal · 35 vistos · 0 comentários
28 Out 2008

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